As divergências entre as cidades de Campina Grande e Caruaru não cessam a partir do São João. Os caruaruenses, detentores de uma festa junina com talvez a metade da infra-estrutura que possui Campina Grande, cantaram a vitória do Central sobre o Treze, durante toda a semana que antecipou o jogo entre as duas equipes. Esqueceram de respeitar o clube que é, atualmente, o líder do Campeonato do Nordeste. O Galo não fez uma partida brilhante, mas jogou o suficiente para sair do Lacerdão de forma triunfante. O jogo foi ganho na tática.
O Central, atuando no esperado 4-2-2-2, variava taticamente quando os jogadores Rogério e Fagner permutavam suas posições. Na prática, isso transparecia uma formação 4-2-1-3. Com 2 laterais plantados na defesa, ir de encontro a uma linha de 3 era tudo que a defesa do Treze queria. Além disso, o único médio ofensivo do Central, Raúl Diogo, deslocava-se até os flancos, para tabelar com os (fracos) laterais e deixava o meio vazio. Cabia ao centro-avante Fabrício Ceará recuar e cobrir este espaço, mas era bem marcado pelos volantes trezeanos.
Abaixo, o olho tático deste lance, que aconteceu diversas vezes, no 1º tempo. Notem como o Treze(de branco) sobrava na marcação. Notem como os laterais do Central são tímidos. Desmarcados, eles não tinham confiança de ir até a linha de fundo e puxar a marcação dos laterais trezeanos, abrindo espaços para os pontas. Com isso, o Central forçava lançamentos diagonais para a área do Galo, ou, então, tocava de lado até perder a bola.
Enquanto isso, o Treze tinha paciência e qualidade para trabalhar a bola no ataque. Os melhores lances do Central aconteciam em jogadas de contra-golpe, mas a lentidão atrapalhava. No 2º tempo, Adelmo Soares corrigiu o erro com a entrada de mais um atacante - Fábio Silva - e solicitou ligações diretas entre laterais e pontas, sem a recepção da bola pelo meio. O Treze foi salvo pela má finalização do adversário e pelas qualidades técnicas de Tony e do miolo de zaga.
Aos 25 minutos, o atacante Thiago Cunha aproveitou escanteio cobrado por Miltinho e cabeceou, abrindo o placar no Lacerdão. A bola parada, como era sabido, é um problema crônico da defesa do Central.
Se o empate praticamente classificava o Treze, a vitória assegura ainda mais o Galo na fase eliminatória. Porém, logicamente, atletas e comissão técnica só devem sossegar após a vitória no próximo domingo, diante do mesmo Central, no Amigão.
Tony – 7,0 – Pouco exigido em arremates, continua firme nas saídas de gol. Salvou o time em uma delas, no mano a mano, tirando a bola dos pés do atacante adversário.
Niel – 5,5 – Melhora defensiva considerável. Falta mais participação.
Tiago Messias – 9,0 – Um monstro em campo. Segurou o ataque adversário e foi o maior ladrão de bolas do Treze - 14 desarmes. Muito perigo na bola aérea ofensiva também.
Anderson – 5,0 – A atuação brilhante de Tiago Messias o apagou. Jogou muito através de balão, o que não lhe é normal.
Cleidson – 6,0 – Apresentou-se bem nas saídas de bola, driblando o adversário e dando o passe. Na defesa, fez 8 desarmes, mostrando-se seguro.
Roni – 6,5 – Desarmou bastante, entretanto não foi tão bom com a bola no pé. Errou passes e fez faltas perigosas contra o Treze.
Weverson – 7,5 – Grande ladrão de bolas, foi o principal desarticulador das jogadas adversárias, no meio-de-campo. Falhou em errar passes, em alguns contra-ataques.
Rone Dias – 8,0 – Principal elo entre armação e ataque e distribuidor de jogo no meio-de-campo. 92% de acurácia nos passes.
Miltinho – 7,0 – Movimentou-se bem e executou papel tático importante, permitindo que o time ficasse mais tempo com a bola, graças à sua distribuição de jogo. Foi dele a assistência para o gol.
Cléo – 6,0 – Apesar da boa movimentação e de não ter errado passes, estava perdendo várias jogadas individuais para os zagueiros do adversário. Melhorou na finalização.
Vavá – 5,5 – Só aparecia quando, nos contra-ataques, recebia a bola no meio-de-campo, dominava e passava – às vezes, errado. Não tem presença de área e nem cria oportunidades de gol para os companheiros.
André Lima – 6,0 – Seguro, mas praticamente não apareceu no jogo.
Marcinho Guerreiro – sem nota.
Thiago Cunha – 7,0 – Entrou e marcou o gol da vitória. Além disso, foi determinado e conseguiu participar do jogo – até mais que Vavá, que jogou o jogo inteiro. Pecou em se posicionar em impedimento, duas vezes.

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